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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Da Arte e da Preguiça...

“todos fazemos poesia
mas alguns tem a  sem-vergonhice
de colocá-las no papel”



Só fazemos arte quando temos algo pra falar, seja lá com linguagem for. E sempre temos algo pra falar!
O processo de criação não para, a gente é que nem sempre registra esses momentos. Olhar pela janela com olhos longe do cotidiano, descansar o olhar, imaginar que esta fazendo isso pela primeira vez e registrar. Uma frase, uma foto, um poema, um quadro, uma melodia, qualquer registro vale. Essa mudança de perspectiva, de olhar renovado nos faz entender que o “comum” ao nosso entorno nunca é o mesmo, muda a cada instante e são esses registros que irão ficar.
Olhe para a foto do jornal, esqueça todo o texto e olhe para a foto. Observe os detalhes, a luz, a sombra, tente entender olhar do fotógrafo naquele momento. “A arte está em toda parte”, para criar uma frase e não perder a rima. E mesmo nesses nem tão belos versos, registro o momento.
Faço isso enquanto cozinho! Cada nova descoberta, combinação de sabores, ponto de cozimento, novos temperos, ingredientes não usuais, e tantas outras coisas que acontecem nessa deliciosa e lúdica arte da culinária eu registro.
            Não espere o próximo dia, a próxima segunda ou o próximo ano. Mude o olhar agora, faça essa experiência e veja o que mais tem que nem esse novo olhar está vendo e registre. Escolha a linguagem, ou crie uma nova ou as duas coisas juntas. Use a correria do dia a dia como objeto para a mudança desse olhar ou faça da preguiça uma parceira nesses momentos criativos, mas não se esqueça de registrar, pra isso a preguiça joga contra. Ah, essa preguiça nem sempre é criativa...

Rosca de Coco

Massa:
01 envelope de fermento – 10 g
½ xícara (chá) de açúcar
03 colheres de margarina
01 xícara (chá) leite
04 xícaras de farinha de trigo
02 ovos
01 pitada de sal

Recheio:
O1 lata de leite condensado
01 xícara de leite
01 xícara de açúcar
100 gramas de coco ralado


Modo de fazer:

Misture os ingredientes da massa, (acrescentando o sal por último) até obter uma massa homogênea. Espere a massa crescer. Em uma panela no fogo baixo, misture os ingredientes para o recheio, até ficar com a consistência de um creme. Espere esfriar. Abra a massa e espalhe o recheio. Enrole como se fosse um rocambole. Corte em fatias e as coloque em uma forma (você pode formar uma guirlanda, uma árvore de natal ou outro motivo que quiser). Leve ao forno médio por aproximadamente 40 min. 

sábado, 4 de dezembro de 2010

eu e minhas carrancas....

sonho, sonhos são...

Meus sonhos ganharam asas
Não como anjos
Mas como sonhos alados
Que agora podem
Encontrar outra casa

“Ela, em pé, me olhando, com uma das mãos, comprida e quieta, sobre o abajur. Via as pálpebras iluminadas como todas as noites. Foi então que lembrei o de sempre, quando lhe disse: ´Olhos de cão azul´. Ela me disse, sem tirar a mão do abajur: ´Isso. Já não o esqueceremos nunca´. Saiu da órbita suspirando: ´Olhos de cão azul. Escrevi isso por todas as partes´. Esse diálogo é um trecho do conto, publicada pela primeira vez em 1974, Olhos de Cão Azul, em uma coletânea de onze contos escritos pelo colombiano Gabriel Garcia Márquez. E no conto que dá nome ao livro, Gabo conta uma mágica história de dois amantes que se encontram nos sonhos, um sonho compartilhado por duas mentes.
Os sonhos estão presentes na nossa vida. Sonhamos enquanto dormimos - tema de estudo de muitos - Freud que o diga. Mas gosto mais dos sonhos que temos quando estamos acordados. Um poema de Sebastião da Gama faz parte das minhas referências, desde que o li pela primeira vez:
Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
O sonho nos move, nos provoca, e em muitas vezes nos conforta. Mas o melhor dos sonhos é aquele que acontece, se realiza. Essa revista que você tem nas mãos, um dia foi um sonho que o Eduardo fez real. Sonhos sonhos são, como diria Chico Buarque. E pra para começar a realizar esses sonhos a receita desse mês não poderia ser outra: Sonhos Recheados!
Ingredientes:

Massa:
02 tabletes de fermento para pão (30g)
02 colheres (sopa) de açúcar
01 xícara de margarina
02 gemas
01 e 1/2 xícara de leite morno
01 colher pequena de sal
06 a 07 xícaras (chá) de farinha de trigo
02 xícaras (chá) de açúcar para polvilhar
Óleo para fritar

Recheio:
01 lata de leite moça
02 gemas
01 colher (sopa) de margarina
01 colher (chá) de essência de baunilha
Raspas da casca de um limão

Modo de fazer:
A massa do sonho é muito parecida com a massa de pão, misture todos os ingredientes, deixando o sal por ultimo, até obter uma massa homogênea. Faça pequenas bolinhas e deixe crescer. Frite em óleo não muito quente, retire e deixe escorrer. Para o recheio, misture todos os ingredientes ao fogo, até deixar homogêneo, com a consistência de um creme. Abra ao meio e coloque o recheio. Você pode usar doce de leite, goiabada, geléias ou outro recheio.

domingo, 26 de setembro de 2010

O segredo da Busca…

O segredo da Busca…
O segredo da Busca é que não se acha.
Eternos mundos infinitamente,
Uns dentro de outros, sem cessar decorrem
Inúteis; Sóis, Deuses, Deus dos Deuses
Neles intercalados e perdidos
Nem a nós encontramos no infinito.
Tudo é sempre diverso, e sempre adiante
De [Deus] e Deuses; essa, a luz incerta
Da suprema verdade.
Fernando Pessoa, em Primeiro Fausto


Sempre que provamos uma comida gostosa, perguntamos: onde está o segredo? O segredo da boa culinária não está somente na escolha dos melhores ingredientes. É claro que um ingrediente de primeira qualidade, se tratado como tal, pode realmente dar origem ao melhor prato, mas não é só isso.
O segredo da boa culinária não é a combinação mais sofisticada, nem o mais difícil, tampouco é a mais simples, mais comum. Também não é o local, nem o horário, nem os equipamentos, apesar de invejar as muitas e sofisticadas traquitanas disponíveis para as cozinhas modernas.
Não que eu ache que exista apenas um segredo, mas acho que o segredo da boa culinária é entender o outro, quem é o sujeito nessa historia. O paladar é uma coisa muito pessoal, intransferível, tem como referência as histórias de vida, a relação intercultural entre as pessoas.
O paladar é aprendido com o tempo, tem que ser ensinado e compreendido. Mostrar como se faz, aprender com os erros, trocar receitas e dicas. O segredo da boa culinária é ensinar o outro onde esta o segredo...

Pacotes secretos

Essa receita pode ter inúmeras variações, combinando diversos vegetais, peixes, cogumelos e onde mais sua imaginação e paladar permitir.

Ingredientes:

Cebola
Abobrinha
Alho poro
Cogumelos frescos
Aspargos frescos
Tiras de cenoura já cozidas
Shoyu
Óleo de gergelim
Papel alumínio

Modo de Fazer:

Lave e corte os ingredientes em tiras, como a cenoura que deve ser cozida antes para ficar macia. Corte o papel alumínio em um quadrado, utilizando a largura como referência. Coloque os ingredientes no papel alumínio e tempere com o shoyu e com o óleo de gergelim (pode trocar esse tempero por óleo de oliva, se preferir). Feche o pacote com cuidado para o papel não rasgar. Coloque em uma forma e leve ao forno médio por 20 min. 

eu e minhas carrancas....

sábado, 18 de setembro de 2010

Pombinhas....

Adoro uma música do Belchior chamada Balada da Madame Frigidaire – “Ando pós modernamente apaixonado pela nova geladeira. Primeira escrava branca que comprei, veio e fez a revolução...”
Mas como era cozinhar sem geladeira? Nós, seres urbanos modernos, acostumados com as maravilhas da tecnologia normalmente não nos damos conta de como era a culinária sem os nossos “armários gelados”. Conservar os alimentos exigia técnicas caseiras e eficientes: carnes salgadas, defumadas, mergulhadas na gordura podiam ficar muito tempo conservadas e com o sabor preservado. As receitas utilizavam esses ingredientes que podiam ser transportados facilmente. Mas além de preservar, essas técnicas alteravam o sabor, deixando-o diferente do original mas delicioso. Herdamos essas receitas e os pratos que eram feitos com eles. Paçocas, virados, deliciosos cozidos estao presentes nas nossas mémorias e nas nossas mesas.
Nesse mês de aniversário de Ponta Grossa fui buscar uma receita presente na cozinha dos tropeiros que trilhavam os nossos campos gerais – o arroz de carreteiro. Todavia, peço licença aos historiadores para cometer algumas pequenas “heresias” nessa receita. Ao contrário das receitas tradicionais, utilizo nesse carreteiro o charque desfiado e não em pedaços como faziam nossos avós.

Ps: Eu tinha pensado em trazer uma receita de pombas recheadas mas pensei – “coitada das pombinhas, o símbolo de nossa cidade.”

Arroz Carreteiro

Ingredientes:
1/2 kg de arroz; 600 g charque (preferencialmente de traseiro); 04 cebolas médias; 04 tomates, meia colher de sopa de sal; meia colher de sopa de pure de alho; uma pitada de pimenta branca; 1 colher de sopa de óleo vegetal; salsa picada, 01 lata de ervilha.

Como fazer
Cozinhe o charque por aproximadamente 01 hora, trocando a agua até ele ficar macio e com pouco sal, espere esfriar e com a ponta de dois garfos desfie até ficar em pequenos pedacinhos - reserve. Corte a cebola e o tomate picados e doure em uma panela grande com o óleo e com o alho. Frite lentamente até a cebola murchar. Acrescente o charque e refoque, acrescentando em seguida o arroz e o sal. Complete com água e espere o arroz ficar quase no ponto, quase ao final acrescente as ervilhas e o cheiro verde.

Para servir
Em uma travessa, prepare uma camada com o carreteiro e decore com salsinha fresca picada.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Por você

se acendesse uma luz
cada vez que eu penso em você
eu não teria escolha
e deixaria a noite morrer

e se o silencio quisesse
me atender,
esse nome que fica
nos meus sonhos
chamando, “você”!
eu vou me entender...

e se a saudade deixasse
e chegasse mais perto
não faria mais nada
a não ser
te querer
se uma luz se acendesse
se o silencio deixasse
se a saudade soubesse

se a fé que não tenho
virasse  uma prece
por você

se a saudade deixasse
e chegasse mais perto
não faria mais nada
a não ser
te querer

e se a saudade deixasse
e chegasse mais perto
não faria mais nada
a não ser
te querer
te querer

setembro chegou...

...e lá estava o ipê
escondido em flor
todo exibido e apressado
chamando a primavera!


Fotografar é escrever com a luz, na origem grega da palavra. Tenho estudado um pouco de fotografia e gostado muito disso. Treinar o olhar, ou um novo olhar. Olhar as coisas com “olhos de primeira vez”, como ensina o historiador italiano, Carlo Ginzburg em seu livro – Olhos de Madeira, nove reflexões sobre a distância (Companhia das Letras, 1998). Tenho feito isso, olhado as coisas ao meu redor com esse olhar renovado. A fotografia é um delicioso exercício para isso. Uma amiga, um dia desses, me ligou contando de um ipê florido, no prédio na Universidade e lá fui eu, correndo fotografar.
Por uma dessas divertidas coincidências que, teimosamente, continuo creditando ao acaso, a crônica do Rubem Alves na folha de São Paulo (24/08, c2) falava de como um menino o via, através de seus livros infantis: “O Rubem Alves é um homem que gosta de ipês-amarelos”. Nessa mesma crônica, ele fala que algumas pessoas levam seus cães para passear, mas que ele leva “seus olhos para passear”. O prazer pela gastronomia, pelos sabores, cheiros e completado pelo olhar. Um belo prato desperta o apetite, também comemos com os olhos. E nesse passeio com olhar, com ipês floridos e a primavera chegando, que tal uma linda e deliciosa sobremesa?

Brownie de Chocolate

Ingredientes:
Massa:
02 xícaras de açúcar
01 xícara de trigo
80 gramas de manteiga
05 colheres de sopa de chocolate em pó
04 ovos médios
½ xícaras de nozes picadas

Calda:
01 barra de chocolate meio amargo
01 lata de creme de leite

Modo de fazer:
Derreta a manteiga com o chocolate e misture com os outros ingredientes.
Em uma forma untada coloque a massa e asse em forno quente (200c) por aproximadamente 30 minutos. Após assar, derreta a barra de chocolate (1 minuto no forno de microondas) e acrescente o creme de leite, misturando com o chocolate ate ficar homogêneo. Cubra o brownie com a calda.

chove chuva....

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

segundona...

nessa noite quente de segunda, nada melhor que comida japonesa...


escrevi esse poema numa noite quente, comendo comida japonesa....






E faço uma reengenharia na cozinha
Meus 5 “esses” estão mais perto de mim

Sushi, sashimi, shoyu, sukiaki

E um bom e velho

Saquê...

sábado, 21 de agosto de 2010

Depois de um BOM tempo sem postar....

Noturno, o rio das horas flui

De seu manancial, que é o amanhã

Eterno...

(Miguel de Unamuno)

Gosto muito de Borges! Escritor argentino, Jorge Luis Borges, é um desses escritores que nossa classificação cartesiana sempre sofre um bocado, não dá pra reduzir a uma só. A poesia, filosofia, traduções, ensaios, críticas de cinema, contos, quase tudo, às vezes, no mesmo parágrafo.

Em "História da eternidade" (editora Globo, 2001) Borges passeia pelo tempo, ou melhor, pela natureza do tempo. Vai a Platão para nos mostrar que o tempo é uma imagem móvel da eternidade. Em santo Agostinho e o mistério da trindade, nas mil e uma noites de Scherazade, na poesia da Islândia. Ler Borges é uma delícia. Em cada dezembro, sinto essa presença do tempo circular de Borges, apesar de certa “ansiedade” para terminar o ano, e começar outro, penso que ele estava correto ao usar o conceito de eternidade, e não em sucessividade.

Mas não podemos negar que as comidas de final de ano são deliciosas, apesar de ainda usarmos muitas comidas de natal, pensando no frio – que não é o nosso caso, pois as festas de final de ano são em dias quentes. Não consigo ver sentido em comidas pesadas, calóricas, esperando neve e papai Noel. Mas como não comemoramos aqui no Brasil o dia de ação de graças, só sobra o natal para comermos um peru assado.

Ingredientes:

Um peru

08 laranjas

Sal

02 cebolas picadas

Alho picado

Farinha de rosca

Damascos

Alecrim

Modo de fazer:

Para temperar o Peru:

Pique o alho, a cebola, o suco de seis laranjas, sal (se o peru for temperado, não é necessário salgar) e o alecrim. Deixe o peru no tempero por algumas horas. Retire o tempero e reserve. Após lavar bem duas laranjas, faça diversos furos e coloque as laranjas dentro do peru. Coloque o peru em uma assadeira coberto pelo papel laminado e leve para assar. Meia hora antes de terminar de assar, retire o papel laminado e regue com o tempero que foi reservado.

Para o recheio:

Frite alho e cebola picados, quando estiver quase dourados, acrescente os damascos picados e uma pitada de sal, refogue e coloque a farinha de rosca

Retire as laranjas de dentro do peru e coloque o recheio, decore o prato com a farofa.

Feliz Peru Assado!

e chovesse agora em teu olhar

e o tempo esquecesse de passar

e se o vento espalhasse pelo mar

os sonhos que esqueceram de acordar

Em uma das colunas passadas, falei sobre o tempo. A eternidade do Borges. Nesses atípicos dias de final de ano, assisti “o retrato de Dorian Gray”. Já tinha lido o livro e gostei do filme. Um jovem aristocrata inglês tem seu retrato pintado quando jovem e, com o passar do tempo ele não envelhece, quem envelhece é a sua imagem no retrato.

Tema recorrente, o tempo me atrai. Tudo tem seu tempo, já dizia um dos versículos da bíblia (Tudo neste mundo tem seu tempo; cada coisa tem sua ocasião. Há um tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar... - Eclesiastes 3, 1-8).

Quando comecei a cozinhar, logo percebi o quanto a noção exata do “tempo” é importante. Existe uma relação que muitas vezes acaba sendo completamente intuitiva em saber “quanto tempo demora pra comida ficar pronta”, a pergunta mais ouvida quando estamos na cozinha e o cheiro da comida quase pronta provoca o olfato de todos.

Fazer um ovo frito é rápido, cozinhar um ovo demora mais, fios de ovos então? Um tempão! Claro que depende do equipamento utilizado, quantidade de calor, o ponto que esperamos do alimento e da nossa fome, pois muitas vezes a fome acelera o cozinheiro. “Quem tem pressa come cru e insosso”, já dizia o velho provérbio português.

Como organizar esses tempos diferentes de cada um dos pratos? Esse domínio só o tempo lhe dá, a experiência é fundamental, mas algumas dicas sempre funcionam: sempre o prato mais demorado deve ser começado por primeiro. Pode parecer óbvio demais, e é, mas nem sempre fazemos isso. Deixe sempre para lavar as folhas que for utilizar em saladas perto de servi-las, ficam mais saborosas. Nas carnes assadas, existe um cálculo para o tempo de cozimento em forno médio: 1 hora, mais 30 minutos para cada quilo do peso da carne. Como exemplo de um pernil de 4 quilos: 1 hora mais 4 x 30 minutos = 3 horas de cozimento. Uma hora antes de servir, descubra e vire até o que fique pronto.

Depois de tanto falar no tempo, trago uma receita rapidinha, pra não perdermos muito tempo...

Pão de minuto

Ingredientes


3 Xícaras de farinha de trigo;

2 Colheres (sopa) de açúcar;

2 Colheres (sopa) de margarina;

1 Xícara de leite;

1 Ovo;

1 Pitada de sal;

2 Colheres (sopa) de fermento químico.

Modo de Preparo

Misture todos os ingredientes, até a massa ficar uniforme. Faça os pães com uma colher e coloque em uma forma untada e leve ao forno médio para assar.

Sou um cozinheiro acidental! Quer dizer, não foi só o acaso que me fez gostar de cozinhar. Uma conjunção familiar ajudou bastante: mãe, avó, tia – grandes cozinheiras por perto - acrescido do meu pavor irracional por queijo, uns bons e divertidos amigos que se reuniam e lá estava eu na cozinha, cortando alho e cebola...

Drummond já dizia que “amar só se aprende amando...” e num misto de plágio e admiração digo que “cozinhar só se aprende cozinhando...” e errando muito!

Sim, porque o erro é fundamental nesse processo. Bom professor para um aluno atento, o erro ensina. “Nunca cometo um erro uma vez, cometo duas, três, quatro, cinco, seis. Só pra saber que o erro tem vez", como diria Leminski.

Alguns desses erros acabam virando descobertas divertidas e saborosas que acabam sendo incorporadas ao nosso cardápio, depois de passado o susto que nosso paladar sempre leva com novos sabores.

Um erro comum, mesmo para cozinheiros experientes é começar uma receita sem verificar se tem todos os ingredientes, começamos a fazer a receita e lá pelas tantas, faltou algo!

Já vivi algumas vezes essa situação e em muitas delas, perdi a receita. Mas um desses erros me fez descobrir uma nova maneira de fazer um bolo de fubá, que começou sem querer. Era pra ser um delicioso bolo de chocolate – nega maluca – como chamamos aqui. Comecei o bolo e quando já havia quebrado os ovos vi que não tinha chocolate, fundamental num bolo de chocolate, sem dúvida!

O que fazer? O improviso me fez descobrir essa receita, trocando o chocolate por fubá que batizei com a mesma regra politicamente incorreta da nega maluca, criando uma massa mais leve que os bolos de fubá tradicionais. Com vocês, a minha:

Polaca Louca

Ingredientes:

02 xícaras de farinha de trigo

01 xícara de açúcar

01 xícara de fubá

01 xícara de água quente

01 xícara de óleo

01 colher (pequena) de sal

01 colher (grande) de fermento para bolo

03 ovos

Modo de fazer:

Misture todos os ingredientes secos, adicione os ovos, o óleo e a água quente. Após mexer, colocar o fermento. Coloque em uma forma previamente untada e leve ao fogo. Aproximadamente 40 minutos no forno.

Gosto de temas encomendados. Esse é um deles! Falar sobre o mês de junho, com o dia dos namorados e, claro, uma receita deliciosa. Como sempre ouço música quando estou escrevendo, coloquei uma cantora da nova geração que gosto bastante, Bruna Caran, cantando uma música de Otávio Toledo chamada signo de câncer.

Mês de junho
Qual é seu nome eu sei
Tempo de frio prazer
O mesmo nome hei de ter

Frio que rasga os lábios meus
Ser cria de um sábio...

Mês de junho
Tempo de festas quintais
Temos os signos iguais
Sonhos e planos reais

Ser que morde os lábios meus
Ventos que trazem presságios de um...

Mês de junho
Qual é seu nome eu sei
Tempo de frio prazer
O mesmo nome hei de ter

“Frio que rasga os lábios meus...”, diz a letra. As mulheres protegem seus lábios com um batom, e mesmo praticando muitos beijos, ele não irá proteger os nossos. E pra que o frio não os rasgue, como diz a música, normalmente usamos manteiga de cacau. Chocolate é feito de cacau e namorados são feitos de beijo na boca. Com essa combinação e com o frio do mês de junho, falta um bom filme e a uma boa comidinha.

Assisti a dois filmes ótimos com a Meryl Streep, e em ambos a paixão pela culinária ilumina o roteiro. Julie & Julia (EUA, 2009). A Julie resolve fazer todas as receitas do livro da Julia (Julia Child, autora do livro “Master of art of french cooking”), uma por dia, escrevendo essa experiência em um blog. O outro filme é Simplesmente Complicado (It’s Complicated, EUA, 2009), uma comédia romântica (ainda não sei direito que gênero é esse!) ótima pra um final de noite. Faltou a receita! E que tal um fondue? Uma ótima maneira de se preparar, como diria Vinicius, comidinhas para depois do amor...

Fondue de Chocolate

Ingredientes
- 200g de creme de leite light
- 200g de chocolate ao leite
- 200g de chocolate amargo

- Frutas diversas (Abacaxi, morango, uva, kiwi, pêra, maça)

Modo de Preparo

Corte diversas frutas em pedaços pequenos, que depois serão mergulhadas no creme de chocolate. Derreta os dois chocolates, o ao leite e o chocolate amargo em banho maria. Depois acrescente e misture o creme de leite e mexa até formar um creme homogêneo. Passe esse creme para a panela de fondue já aquecida, espete as frutas e divirta-se. (caso fique um pouco denso, acrescente um pouco de leite.)

depois pensemos, crianças adultas, que a vida
passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
vai para um mar muito longe, para o pé do fado,
mais longe que os deuses.

(fernando pessoa)

Saramago morreu! Confesso que não era fã do autor, li apenas 2 livros dele e não fui “fisgado” pelo seu estilo, e com isso, conheço pouco de sua obra. Mas gostava muito do ativismo intelectual e político do Saramago – um comunista das “antigas” e ateu - sem medo de entrar em boas brigas defendendo suas convicções! Polemicas à parte, como tem acontecido com freqüência quando morre um desses que fazem a diferença na história do homem, a mídia tem feito ótimas coberturas, garimpando imagens e fatos da vida do que se vai. Um dos momentos que me tocou foi quando Saramago recebeu o premio Nobel e, entre tantas coisas que falou em seu belíssimo discurso, lembrou de seus avós: “O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever”, falando de seu avô e lembrou de uma frase que sua avó dizia: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer ", talvez no momento mais bonito desse discurso.

Numa aceitação imediata, eu, neto de português, vesti a frase sem ajustes. Meu avô era português e veio para o Brasil no mesmo ano em que o Saramago nasceu, 1922, trazendo com ele o prazer pela boa comida portuguesa. Depois de casar com minha avó, esta aprendeu algumas dessas receitas portuguesas, muitas delas com bacalhau, que fazem parte dos sabores da minha infância. Julho é mês da avó e a data foi definida no calendário litúrgico no dia 26 em uma referência à nossa senhora de Sant Ana, mão de Maria e, portanto, avó de Jesus, também padroeira de Ponta Grossa.

Nesse gelado mês de julho, trago uma receita portuguesa que minha avó fazia - com a melancolia típica de um adeus - para o nosso velho comunista...

Bolinho de Bacalhau

Ingredientes:

500 g de bacalhau cozido e desfiado

500 g de batata cozida

2 gemas

4 colheres (sopa) de trigo

1 colher (sobremesa) de fermento químico

1/2 xícara de cheiro verde picado

Óleo para fritar

Modo de fazer:

Depois dos ingredientes já frios, misture todos os ingredientes, formando uma massa homogênea. Faça os bolinhos e frite no óleo quente. Receita simples e deliciosa.